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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O artista e o seu público.


Quando entramos no meio artístico sejam com a intenção de nos tornarmos profissionais, amadores ou artistas anônimos por opção, em nossos sonhos costumamos visualizar momentos de pleno esplendor.
Em um cenário perfeito com a mais bela música surge uma bailarina deixando a todos em êxtase profundo, seus movimentos associados com seu belo traje são uma visão do paraíso, todos prestam atenção nesta figura lendária.
E quando a música termina não se escuta nem mesmo uma simples respiração, é um momento de plena dor e prazer por algo jamais visto ter acabado.
Você pode e deve sonhar, mentalize sempre situações semelhantes, pois isso vai ajudá-la a soltar seus instintos, mas caso você tencione encarar o público leve muito a sério as dicas que lhe serão passadas.
Cuidado ao escolher o local da sua primeira apresentação e também das demais que se seguirão, pois nem todos estarão lá para apreciar a arte que será demonstrada, por exemplo, um público adolescente em grande número é sinal de perigo principalmente se antes de você apresentaram-se grupos de hip hop, pagode, axé ou fórro.
E caso a bailarina tenha um belo corpo você poderá escutar vaias das meninas e gostosas dos rapazes, mas lembre-se tudo para eles é brincadeira em grupo, e não leve de forma alguma a sério o que escutar de um adolescente que apenas deseja chamar a atenção do seu grupo.
Mas entenda também que isto não é de forma alguma uma regra, mas é meu dever alertá-la de que quando decidimos nos mostrar como bailarinas nem sempre temos o público tão sonhado.
O palco de um teatro já é bem mais seleto as pessoas que pagaram o ingresso foram apreciar um espetáculo de dança, e não procurar defeitos ou qualidades em seu corpo, querem apenas ver uma bela dança, assim como em um jantar árabe ou shows em clubes sociais.
Portanto não deixe que palavras ditas ao vento entrem em seu coração, assim como grandes atores e atrizes músicos, e até mesmo o nosso presidente passaram por situações difíceis com o público e superaram, porque não nós também.
Quando dançamos devemos elevar o nosso olhar para o horizonte, para que não ocorram situações constrangedoras como, por exemplo, alguém achar que você lhe lançou um olhar exclusivo.
E também por um outro motivo, pode acontecer de uma alma doente sentir-se extremamente incomodada com seu sucesso e estar fulminando você com um olhar daqueles, ou mesmo estar com uma expressão de puro desdém, e isto pode afetar e muito sua concentração e sua dança.
O artista não tem olhos nem ouvidos, ele deve ser apenas a tradução de sua arte, portanto eleve-se acima do mortal que te olha, pois quando você esta no palco torna-se o sonho daqueles que não tiveram a tua coragem, e isso às vezes incomodam as pessoas de alma pequena.
Na vida, muitas vezes deixamos olhares e palavras nos abalar dando a sensação de derrota, mesmo quando sabemos sermos capazes, a vida também é um palco iluminado onde muitas vezes devemos escutar sem ouvir olhar sem ver e mirar além do horizonte.

Texto: Cláudia Bitencourt
Foto: Cláudia Bitencourt apresentação no palco da Fearg Fecis

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